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Capa da série de guias: família de três gerações numa aldeia portuguesa ao pôr do sol.
Guia 5

Semanas e meses: quando a crise dura

Uma semana aguenta-se com o que há em casa. Meses só se aguentam em comunidade. Prepara hoje o que vai produzir água, comida e calor amanhã, na cidade e na aldeia.

112Emergência · grátis
mesmo sem saldo

Completa os guias 1 a 4. Trabalhos de eletricidade, gás e água: só profissionais certificados.

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Quando não é só uma semana

Deixar de "aguentar" e começar a organizar, produzir e repor.

As três fases

  • Dia 1 a 7: aguentar com o kit e a despensa (guias 1 a 4).
  • Semanas 2 a 4: racionar e organizar a rua e a aldeia.
  • Meses: produzir e repor: água, horta, animais, lenha.

Quando pode durar meses

  • Seca prolongada, com cortes de água.
  • Sismo forte, com casas e serviços parados.
  • Incêndio que destrói uma aldeia.
  • Apagão longo, falta de combustível, pandemia, crise económica, cheias.

Prioridades, por esta ordem

1 Abrigo · 2 Água · 3 Comida · 4 Higiene e saúde · 5 Segurança · 6 Energia. E sempre a comunidade: ninguém aguenta meses sozinho.

Mais no guia em PDF, página 1.

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Água para meses

Quanto é preciso, de onde vem, como se apanha a chuva e como fica segura.

Quanto por pessoa e por dia

Para quêLitros
Beber2,5 a 3
Cozinhar3 a 6
Higiene6 a 7
Mínimo com saúde15

Família de 4: 60 L por dia, 1800 L por mês. Separa a água boa (beber) da água cinzenta (autoclismo, rega).

Água da chuva

Litros = m² de telhado × mm de chuva × 0,8. Um telhado de 100 m² dá 800 L numa chuvada de 10 mm.

  • Caleiras limpas, com rede.
  • Desvia a primeira água de cada chuvada (cerca de 1 L por m²).
  • Depósito opaco e tapado (IBC de 1000 L).
  • Chove quase tudo de outubro a abril: guarda no inverno para o verão.

Água segura: limpar e desinfetar

  • Deixa assentar, filtra (pano, filtro de areia, filtro comprado).
  • Depois desinfeta: ferver 1 minuto, lixívia (doses no Guia 1) ou sol: garrafa PET transparente, 6 h de sol forte (2 dias se nublado).
  • Filtros caseiros não tiram químicos, gasóleo nem sal. Na dúvida, não bebas.

Prepara hoje

  • Mapa das águas da freguesia: poços, nascentes, fontanários.
  • Bidões alimentares de 20 L, baldes com tampa, bomba manual.
  • Poços e furos novos: comunicar ou pedir licença à APA.

Mais no guia em PDF, páginas 2 a 4.

3

A despensa e a cozinha

Comida barata que dura anos, que tu já comes, e que não deixa ninguém doente.

Um mês para um adulto

AlimentoQuantidade
Arroz, massa, farinha, aveia9 kg
Grão, feijão, lentilhas4 kg
Azeite ou óleo2 L
Conservas15 latas
Leite em pó · açúcar · frutos secos1 kg cada

Cerca de 70 000 kcal. Rodar: o primeiro a entrar é o primeiro a sair.

Cozinhar com pouco

  • Caixa térmica: ferve 5 a 10 min e acaba de cozer dentro de mantas. Poupa até metade do combustível.
  • Demolha as leguminosas 12 h. Uma panela para tudo, sempre com tampa.
  • Grão com arroz, feijão com milho: proteína completa.
  • Cozinha comunitária e forno de lenha da aldeia.

A fome escondida

Ao fim de 1 a 3 meses sem fruta nem legumes aparece o escorbuto. Vitamina C: couves, pimentos, laranjas, batata e germinados: lentilhas ou grão num frasco, passados por água 2 vezes por dia, prontos em 3 a 5 dias.

Mais no guia em PDF, páginas 5 e 6, com uma ementa para uma semana.

4

A horta de emergência

Começa hoje, em pequeno. Uma horta não se improvisa no dia da crise.

Rápidas e fáceis

CulturaAté à mesa
Rabanete~4 semanas
Alface, espinafre, rúcula5–8 semanas
Courgette · feijão-verde8–9 semanas
Batata · abóbora3–4 meses

O ano da horta

  • Primavera: batata, feijão, tomate, pimento, abóbora, milho.
  • Verão: alface, cenoura, feijão-verde; regar cedo.
  • Outono e inverno: couves, grelos, favas, ervilhas, alho, cebola.

O calendário da tua terra é o dos vizinhos com horta: pergunta-lhes.

Sementes e terra

  • Variedades tradicionais (não "F1"): guarda as sementes das melhores plantas.
  • Composto de restos de cozinha, folhas e estrume. Palha por cima da terra.
  • Na cidade: vasos, varandas, terraços e hortas comunitárias.

Mais no guia em PDF, página 7.

5

Animais: galinhas, coelhos e outros

Comem restos e dão proteína todos os dias. Mas dão trabalho todos os dias.

Galinhas

  • 150 a 250 ovos por galinha por ano; 4 a 6 galinhas para uma família.
  • Restos, erva e 100–150 g de cereal por dia; água limpa sempre.
  • Fechadas à noite: raposa, geneta, cães. Não precisas de galo para ter ovos.

Coelhos

  • Prontos em cerca de 3 meses; ocupam pouco espaço.
  • Feno seco sempre; erva molhada faz mal. Sombra no calor.
  • Há vacinas para as doenças graves: fala com um veterinário.

Regras e higiene

Registo, distância às casas e abate têm regras: confirma na câmara, na DGAV ou com o veterinário municipal. Animais fora de casa e longe dos poços; lava as mãos depois de lhes mexer. Cabras, ovelhas e abelhas: só se alguém já sabe.

Mais no guia em PDF, página 8.

6

Conservar sem frigorífico

Secar, salgar, fumar, compotas, picles e um sítio fresco e escuro.

Os métodos dos avós

  • Secar ao sol (com rede) ou no forno a 50–60 °C: fruta, tomate, ervas, feijão.
  • Salgar peixe e carne; açúcar para compotas; vinagre para picles.
  • Batata, cebola, abóbora, maçã: meses num sítio fresco e escuro.
  • "Frigorífico do deserto": dois vasos de barro com areia molhada, no calor seco.

Botulismo

Conservas caseiras de legumes, feijão, carne, peixe ou alho em azeite podem criar uma toxina mortal, sem cheiro. Só com panela de pressão própria e receita testada. Tampa inchada ou a espirrar: deita fora sem provar. Cogumelos do campo: nunca.

Mais no guia em PDF, página 9.

7

A casa como abrigo para meses

Seca, quente no inverno, fresca no verão e reparada a tempo.

Inverno: uma divisão quente

A divisão mais pequena, virada a sul, com salamandra ou lareira. Todos vivem e dormem lá; as outras ficam fechadas. Frestas tapadas, cortinas, tapetes, camadas de roupa. Detetor de monóxido de carbono.

Reparar e aquecer

  • Telhado: lona presa com ripas pregadas. Janela: OSB ou plástico grosso.
  • Bolor: arejar 10 minutos por dia.
  • Lenha cortada e empilhada um ano antes; chaminé limpa.
  • Fendas grandes depois de um sismo: não entres até um técnico ver.

Verão e casa perdida

Estores fechados de dia, janelas abertas à noite. Se a casa ficou inabitável: centros de acolhimento, família, amigos ou vizinhos. Combina hoje com quem podes ficar.

Mais no guia em PDF, página 10.

8

Frio e luz para meses: solar, vento e baterias

Com o sistema certo, o frigorífico, a arca e a luz continuam a funcionar. Mas testa-o antes.

Painéis solares não chegam

A maioria das instalações ligadas à rede desliga-se sozinha no apagão, mesmo com sol. Só tens energia se tiveres um inversor híbrido com saída de emergência (backup/EPS), de preferência com baterias, ou um sistema isolado da rede.

Testa hoje, num dia de sol

  1. Desliga o disjuntor geral do quadro.
  2. Vê o que funciona: frigorífico, arca, luzes, router, bomba de água.
  3. Repete à noite: a bateria aguenta até de manhã?
  4. Anota e volta a ligar. Nada funcionou? Fala com o instalador.

Quanto é preciso

Por diakWh
Frigorífico0,5–1,5
Arca horizontal0,5–1,2
Luz, rádio, telemóveis, router0,3–0,5
Casa em modo crise2–4

1 kW de painéis: ~4–6 kWh num dia de verão, 1,5–3 no inverno. Bateria de 5–10 kWh para a noite e dias de nuvens.

Vento e alternativas

Uma pequena eólica produz de noite e nas tempestades, mas só compensa em sítios muito ventosos e abertos, com torre e licença. Sem sistema fixo: estação de energia com painéis portáteis. Gerador só ao ar livre (Guia 3).

Mais no guia em PDF, página 11.

9

Ferramentas que valem ouro

Manuais, simples e afiadas: funcionam sem eletricidade e duram uma vida.

Cortar, terra e água

  • Serra de arco, serrote, machado, cunha, podão, tesoura de poda.
  • Pá, enxada, picareta, ancinho, carrinho de mão.
  • Bidões alimentares de 20 L, baldes com tampa, sifão, corda e roldana.

Facas, reparar, casa

  • Facas boas, canivete, facas de entalhar e goivas, pedra de afiar.
  • Martelo, pregos, alicates, berbequim a bateria, fita, arame, lonas, cordas.
  • Kit de costura, alguidares, panela de pressão, luvas, óculos, extintor.

Partilhar e cuidar

Uma biblioteca de ferramentas na rua ou na aldeia, com um caderno de quem levou o quê. Limpas, secas e afiadas. Cortar para longe do corpo, com luvas e botas. Facas e machados são ferramentas de trabalho: não se andam com elas na rua.

Mais no guia em PDF, página 12.

10

Saneamento e higiene

Em crises longas, as diarreias e as infeções matam mais do que o próprio desastre.

Sem esgotos

  • Latrina a pelo menos 30 m de poços e ribeiras, e mais abaixo no terreno.
  • Sanita de balde: uma mão-cheia de serradura, cinza ou terra seca depois de cada uso.
  • Esgoto partido (sismo, cheia)? Não uses a sanita.

Mãos limpas salvam vidas

Sabão e água antes de comer e cozinhar, depois da casa de banho e dos animais. Um bidão com pedal ("tippy-tap") gasta muito pouca água.

Lixo e bichos

Restos para os animais e o composto, papel para o lume, o resto em sacos fechados longe de casa. Nunca queimes plástico. Sem água parada (mosquitos) e sem comida à vista (ratos).

Mais no guia em PDF, página 13.

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Saúde ao longo de meses

Os doentes crónicos, os dentes, os olhos, os bebés e os acamados não podem esperar.

Prepara com o médico

  • Receitas renováveis e reserva de 1 a 2 meses de medicamentos, a rodar.
  • Lista em papel de cada pessoa (a ficha médica do Guia 2).
  • Óculos de reserva, dentes tratados, vacina do tétano em dia.

Procura ajuda se

Ferida vermelha, quente e com pus; febre alta que não baixa; diarreia com sangue ou numa criança que não bebe. Centro de saúde, bombeiros, SNS 24 (808 24 24 24) ou 112.

Os mais frágeis

Bebés: leite materno, ou leite em pó com água fervida. Acamados: mudar de posição de 2 em 2 horas. Uma lista de quem vive sozinho e uma visita por dia. A cabeça também cansa: Guia 4.

Mais no guia em PDF, página 14.

12

Organizar a comunidade, trocas e saber fazer

Juntos, cada um faz o que sabe. Sozinhos, todos fazem tudo mal.

Os primeiros passos

  1. Uma reunião curta de vizinhos.
  2. A lista das pessoas: quem está sozinho, doente ou acamado primeiro.
  3. A lista do que sabemos e do que temos para partilhar.
  4. Escalas que rodam: água, cozinha, rondas, idosos, escola.
  5. Ligação à Junta, aos bombeiros e à Proteção Civil municipal.

Regras e escola

Decide-se em reunião e escreve-se no quadro de avisos. Primeiro as crianças, os doentes e os idosos. Uma escola de crise umas horas por dia dá rotina às crianças e liberta os adultos.

Dinheiro e trocas

  • Algum dinheiro vivo em notas pequenas: sem rede, os cartões não funcionam.
  • Trocas combinadas e anotadas; um banco de horas.
  • O que mais vale: saber fazer. Aprende já uma coisa nova.
  • Cuidado com burlas e com quem quer lucrar com a aflição.

Mais no guia em PDF, páginas 15 e 16.

13

Segurança a longo prazo

Discrição, vizinhos atentos e as autoridades, nunca a justiça pelas próprias mãos.

Discrição e a casa

  • Não mostres o que tens: comida, combustível, gerador, baterias. Nem nas redes sociais.
  • Cortinas fechadas à noite. Portas trancadas, anexos e capoeira com cadeado.
  • Ninguém sai sozinho de noite.

Vizinhos atentos

Rondas a dois, com rádio e lanterna, combinadas com a junta e a GNR ou PSP. Observar e avisar: anotar e ligar 112. Dar as boas-vindas às famílias deslocadas.

Nunca

Armas nas rondas, confrontar, castigar, barricar a rua ou acusar sem provas. Quem faz justiça pelas próprias mãos comete um crime. E o fogo é o maior perigo: mato limpo à volta da casa (faixa de 50 m nas zonas rurais), extintor, areia e água.

A folha "O nosso plano para meses" e o cartão rápido estão no guia em PDF, páginas 17 a 19.